Se você gosta de histórias de Halloween e Setealém, esse conto é especialmente para você. Confira!

Um conto de Halloween – Setealém

Sempre me enfureço quando vejo fantasias de personagens de videogames ou cosplays de heróis na semana do Halloween, e como todos os anos, não pude deixar de revirar os meus olhos quando uma turma fantasiada cruzou a rua bem em frente ao ponto de ônibus que estou sentado.

Me pergunto se as pessoas não sabem que o Halloween tem a ver com monstros, bruxas e fantasmas, ou se simplesmente fingem não saber para andar seminus pelas ruas, exibindo os seus físicos deprimentes.

Ao mesmo tempo que questiono o gosto dos meus colegas de faculdade, penso que não é problema meu a Stacy e o Jake estarem vestidos dos padrinhos mágicos em plena véspera do dia das bruxas. Afinal de contas, nunca participo de nenhuma festa de Halloween e nem pretendo participar.

O meu senso crítico não me permite tomar cerveja através de um furo na lata feito com uma chave de fenda, só para parecer um cara macho, ou nadar em uma piscina onde pessoas vomitaram recentemente.

Por esse motivo, são 23h da noite desta sexta-feira, e estou no ponto de ônibus da faculdade ansioso para pegar o ônibus de todos os dias e ir para casa ficar sozinho com o meu gato.

Meu Deus, a minha única companhia de sexta-feira é um gato que tem praticamente a mesma idade que eu. Não! não vou entrar nessa outra vez! Eu sou assim, gosto de estar sozinho e gosto de não gastar meu tempo com coisas inúteis.

– Vai entrar ou não!

– Desculpa senhor, estava tão distraído que nem vi o ônibus chegar.

– Eu te entendo meu garoto. – O motorista encarava uma colega de classe quase sem roupa, em uma fantasia minúscula de coelhinha atravessando a faixa de pedestre. Após exclamar o quanto ama o Halloween, arrancou o ônibus e partiu rumo ao final da rua.

Percebi que apesar de ser noite das bruxas, as ruas estavam silenciosas e escuras. Por um momento me questionei se o ônibus havia tomado o caminho certo. Pois, mesmo encontrando alguma familiaridade, tudo parecia diferente.

Tentei prestar mais atenção ao trajeto. Vez ou outra, via uma pessoa na rua fantasiada com vestes pretas e olhos totalmente negros. Finalmente encontrei as pessoas que entendem o significado de fantasias de Halloween!

Contudo, não entendi porque quase todos eles estavam usando a mesma fantasia. Me questionei se era alguma série ou filme de terror em alta, que não ouvi falar.

Desci no meu ponto e caminhei calmamente em direção a minha casa. No meio do trajeto me assustei com um senhor no portão de uma das residências.

– Você não deveria estar aqui! – Ele usava a mesma fantasia que testemunhei, e por um instante, ao invés de lentes, pensei que ele realmente não tivesse olhos em sua face.

– Eu moro aqui, nesta rua! – Respondi sem dar muita atenção.

– Você não deveria estar aqui! – A sua voz ficou mais intensa, como se ele estivesse se sentindo ofendido com a minha presença.

– Tá ok! Já estou indo! – Apressei o passo rumo a minha casa. De frente a ela, percebi que o amarelo vibrante e brega escolhido pela minha mãe não estava presente na nossa fachada.

– Que porra é essa? – Perguntei para mim mesmo. A casa parecia bem mais antiga e acabada.

– Você não deveria estar aqui! – Uma mulher passeando com o cachorro sussurrou ao passar próxima a calçada. Me virei rapidamente para perguntar que tipo de brincadeira era aquela.

Mas, ao me virar para encara-la, seus olhos eram negros igual as suas vestes e os olhos do cachorro também tinham o mesmo aspecto. Escuros e sem vida.

Eu não deveria estar aqui!

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